Mecanismo de ação
A tesamorelina é um agonista do recetor da hormona de libertação da hormona do crescimento (GHRH-R) nas células somatotróficas do lobo anterior da hipófise. A ligação ao recetor ativa a sinalização acoplada à proteína Gs (cAMP/PKA) e estimula a síntese e a libertação pulsátil da hormona de crescimento endógena (GH), que, por sua vez, induz a produção hepática de IGF-1. Como o eixo permanece sob retrocontrolo negativo pela somatostatina e pelo IGF-1, o padrão fisiológico de secreção é em grande medida preservado, distinguindo-se da administração de GH exógena. Estruturalmente, a tesamorelina corresponde a GHRH(1-44) humana com um grupo trans-3-hexenoílo no N-terminal; esta modificação aumenta a resistência à degradação pela dipeptidil peptidase-4 (DPP-4). Ainda assim, a semivida plasmática permanece curta e é referida na literatura como sendo de cerca de 30 minutos (estimativa da literatura). Os efeitos a jusante sobre a lipólise e o tecido adiposo visceral foram examinados em estudos clínicos.
Nível de evidência
A tesamorelina é um dos poucos péptidos desta classe com autorização regulamentar: em 2010, a FDA dos EUA aprovou-a sob a marca Egrifta para a redução do excesso de gordura abdominal visceral em adultos com lipodistrofia associada ao VIH. A aprovação assenta em estudos multicêntricos aleatorizados e controlados por placebo (Falutz et al., NEJM 2007; Falutz et al., JAIDS 2010), nos quais a tesamorelina reduziu o tecido adiposo visceral em comparação com placebo; o efeito regrediu após a suspensão nas fases de extensão. Outros trabalhos clínicos examinaram, entre outros desfechos, o teor de gordura muscular e a área muscular em adultos com VIH (Adrian et al., 2019). Contexto importante: a autorização abrange apenas esta indicação estritamente definida. Para outros campos de aplicação, como questões metabólicas ou de composição corporal fora da população com VIH, não existe autorização e os dados permanecem limitados. Faltam dados a longo prazo sobre desfechos clínicos duros, e os efeitos sobre o eixo IGF-1 são discutidos na literatura como exigindo monitorização. Não é possível retirar desta evidência conclusões sobre eficácia ou segurança fora de estudos controlados.
Armazenamento e manuseamento
Os péptidos liofilizados são geralmente armazenados em local fresco, seco e protegido da luz, em recipiente fechado. Após a reconstituição com um solvente adequado, a solução é habitualmente mantida refrigerada (2 a 8 °C) e utilizada no prazo de poucos dias. Estas são indicações genéricas de manuseamento para péptidos liofilizados, não dados de estabilidade específicos do produto.
Perguntas sobre o estado da investigação
- Para que finalidades é a tesamorelina investigada?
- O foco centra-se no eixo da hormona do crescimento: enquanto análogo de GHRH, a tesamorelina estimula a libertação pulsátil da hormona de crescimento endógena. O contexto clínico mais bem estudado é a redução do tecido adiposo visceral na lipodistrofia associada ao VIH, a indicação para a qual a FDA aprovou a substância como Egrifta. Os estudos examinaram adicionalmente desfechos de composição corporal, como o teor de gordura muscular em adultos com VIH.
- Qual é o estado da evidência sobre tesamorelina?
- Existem estudos multicêntricos aleatorizados e controlados por placebo para a indicação aprovada, com base nos quais a FDA concedeu a autorização em 2010. Fora desta indicação estritamente definida, os dados permanecem limitados e não existe autorização para outros campos de aplicação. Faltam dados a longo prazo sobre desfechos clínicos duros, pelo que não é possível retirar conclusões sobre eficácia ou segurança fora de estudos controlados.
Fontes
- Falutz et al., NEJM 2007DOI: 10.1056/NEJMoa072375PMID: 18057338
- Falutz et al., JAIDS 2010DOI: 10.1097/QAI.0b013e3181cbdaffPMID: 20101189
- Adrian et al., J Frailty Aging 2019DOI: 10.14283/jfa.2018.45PMID: 31237318
- Drugs@FDA: Egrifta (Tesamorelin), BLA 022505
