Mecanismo de ação
A ativação de MC1R nos melanócitos estimula a via cAMP/PKA e MITF, aumenta a atividade de tirosinase e favorece a produção de eumelanina, pigmento escuro relacionado à fotoproteção. As substituições de norleucina na posição 4 e D-fenilalanina na posição 7 aumentam atividade de receptor e resistência à degradação. Levine e colaboradores observaram em 1991 escurecimento da pele sem radiação UV como estímulo, em participantes que utilizaram protetor solar durante o estudo. A estrutura linear difere da forma cíclica de Melanotan II, de farmacologia menos seletiva. Ugwu e colaboradores avaliaram em 1997 três voluntários: descreveram biodisponibilidade completa na via subcutânea, ausência de níveis plasmáticos detectáveis após administração oral e meia-vida da fase beta de 0,8 a 1,7 hora. Esses resultados de uma amostra muito pequena não equivalem às propriedades de qualquer produto. O medicamento autorizado é um implante, cuja formulação difere de preparações injetáveis de pesquisa.
Nível de evidência
O estudo inicial de Levine incluiu 28 homens saudáveis, com randomização, mascaramento duplo e placebo, e observou aumento de pigmentação. O programa posterior de afamelanotida avaliou o implante em dois estudos multicêntricos de fase 3 de protoporfiria eritropoiética, com 74 participantes na Europa e 94 nos Estados Unidos. Langendonk e colaboradores relataram em 2015 maior tempo sem dor sob luz solar direta e, no estudo europeu, menos reações fototóxicas. Scenesse recebeu autorização europeia em 22 de dezembro de 2014 em circunstâncias excepcionais, dada a raridade da doença, e aprovação da FDA em outubro de 2019. A página EPAR da EMA, com data de 30 de janeiro de 2026, descreve prevenção de fototoxicidade em adultos com protoporfiria eritropoiética. O documento citado da FDA de 2019 se refere à exposição à luz sem dor nessa população. São informações do implante identificado e da indicação avaliada, não de qualquer preparação com afamelanotida. A informação de prescrição alerta para hipersensibilidade grave, incluindo anafilaxia, aumento generalizado de pigmentação e escurecimento de nevos e sardas. A revisão dermatológica de Langan descreve pureza incerta, compartilhamento de agulhas e alterações rápidas de nevos em produtos não regulados chamados Melanotan I ou II, o que dificulta a avaliação de lesões pigmentadas. As fontes citadas de EMA e FDA não demonstram autorização para bronzeamento cosmético nem estabelecem a situação regulatória em todas as regiões do mundo. A farmacocinética investigada para a solução deve permanecer separada da liberação do implante. Os dados de Scenesse não comprovam eficácia, segurança, qualidade ou perfil de liberação de frascos destinados à pesquisa.
Perguntas sobre a pesquisa
- Como evoluiu a pesquisa de Melanotan I?
- Os primeiros trabalhos examinaram pigmentação e farmacocinética em voluntários. O desenvolvimento como afamelanotida levou a estudos de fase 3 do implante para prevenir fototoxicidade na protoporfiria eritropoiética. A molécula também é investigada para compreender pigmentação e fotoproteção mediadas por MC1R.
- A aprovação de Scenesse abrange Melanotan I de pesquisa?
- As autorizações documentadas pela EMA, desde 2014, e pela FDA, desde 2019, se referem ao implante Scenesse em adultos com protoporfiria eritropoiética. Esses documentos não comprovam autorização de frascos de pesquisa ou de bronzeamento cosmético, nem descrevem o registro em todas as regiões do mundo. A identidade da substância não permite transferir qualidade, segurança, eficácia ou liberação do implante para outra preparação.
Fontes
- Levine et al., JAMA 1991DOI: 10.1001/jama.1991.03470190078033PMID: 1658407
- Langan et al., Br J Dermatol 2010 (revisão sobre produtos Melanotan não regulados)DOI: 10.1111/j.1365-2133.2010.09891.xPMID: 20545686
- Ugwu et al., Biopharmaceutics & Drug Disposition 1997DOI: 10.1002/(sici)1099-081x(199704)18:3<259::aid-bdd20>3.0.co;2-xPMID: 9113347
- Langendonk et al., NEJM 2015DOI: 10.1056/NEJMoa1411481PMID: 26132941
- FDA, carta de aprovação de Scenesse, NDA 210797 (2019)
- EMA: Scenesse (EPAR, avaliação pública europeia)
