Mecanismo de ação
Ao se ligar a VPAC1 e VPAC2, VIP estimula a adenilil ciclase. Nicole e colaboradores avaliaram em 2000 a importância da sequência por substituições de aminoácidos em membranas com receptores humanos recombinantes. Alterações em 14 das 28 posições reduziram acentuadamente a ligação ou a atividade em VPAC1. Os padrões dos dois receptores foram semelhantes, com diferenças nas posições 11, 22 e 28; a combinação dessas substituições originou um agonista seletivo de VPAC1. A farmacocinética também limita a interpretação. Domschke e colaboradores estudaram em 1978 quatro voluntários saudáveis: após o término da infusão intravenosa, a concentração plasmática caiu com tempo médio de desaparecimento de aproximadamente um minuto. Os autores não consideraram os dados compatíveis com um papel de hormônio circulante em condições fisiológicas. A amostra pequena não permite generalizações. As pesquisas clínicas utilizaram preparações e vias específicas, incluindo a associação de aplicação local e infusões prolongadas no programa sobre COVID-19; isso não constitui orientação de uso.
Nível de evidência
A classificação regulatória deste perfil se refere à associação fixa de aviptadil com fentolamina. O registro atual da autoridade norueguesa DMP identifica Invicorp, MT 13-9854, como medicamento combinado intracavernoso. A autorização britânica de outubro de 2000 é descrita na revisão de Keijzers, e o Scottish Medicines Consortium avaliou o produto em 2017. A indicação licenciada descrita nessa avaliação é o tratamento sintomático de disfunção erétil em homens adultos, com aplicação local no corpo cavernoso. Esse contexto é específico da associação e não confirma o registro de VIP isolado ou de outras preparações de pesquisa. No estudo randomizado de fase 3 TESICO, publicado por Brown e colaboradores em 2023, aviptadil intravenoso foi comparado com placebo em insuficiência respiratória hipoxêmica associada à COVID-19. Entre 461 participantes da análise modificada por intenção de tratar, não houve diferença significativa no desfecho principal de seis categorias aos 90 dias. A mortalidade foi de 38% e 36%, respectivamente, também sem diferença significativa. Em maio de 2022, o comitê independente havia recomendado interromper essa parte do estudo por ausência de perspectiva de benefício. Faltam dados controlados para outras aplicações sistêmicas e uma base farmacocinética mais ampla. Os resultados dizem respeito a preparações farmacêuticas estudadas sob controle e não comprovam eficácia ou segurança de material de pesquisa.
Perguntas sobre a pesquisa
- VIP é um medicamento aprovado?
- O registro atual norueguês documenta Invicorp, uma associação fixa de aviptadil e fentolamina para aplicação intracavernosa. A autorização britânica histórica de 2000 também se refere à combinação. Esses registros não comprovam autorização de um produto de pesquisa com VIP isolado. O estudo sistêmico TESICO sobre COVID-19 não demonstrou benefício significativo sobre placebo; esse resultado clínico deve ser separado da situação de registro de cada preparação.
- Como interpretar a permanência muito curta de VIP no plasma?
- O estudo de Domschke de 1978 encontrou tempo médio de desaparecimento de aproximadamente um minuto depois de interromper a infusão em quatro voluntários. A via e as condições do experimento são, portanto, fundamentais para interpretar os achados. A observação de uma amostra tão pequena não estabelece uma farmacocinética geral para qualquer preparação ou aplicação.
Fontes
- Domschke et al., Gut 1978DOI: 10.1136/gut.19.11.1049PMID: 730072
- Nicole et al., J Biol Chem 2000DOI: 10.1074/jbc.M002325200PMID: 10801840
- Keijzers, Curr Opin Investig Drugs 2001 (revisão; aviptadil, autorização britânica histórica de outubro de 2000)PMID: 11566015
- Scottish Medicines Consortium 2017: aviptadil/mesilato de fentolamina (Invicorp), SMC 1284/17
- Brown et al., Lancet Respir Med 2023 (TESICO, ACTIV-3b, NCT04843761)DOI: 10.1016/S2213-2600(23)00147-9PMID: 37348524
- DMP da Noruega: Invicorp, MT 13-9854, registro atual do produto
